40 anos do Grupo Lumbra

O Cine Diamantina 2017 presta homenagem ao Grupo Lumbra, que completa quatro décadas de criação neste ano. A visceral e expressiva atividade deste coletivo audiovisual – do qual faziam parte, entre diversos outros nomes, Fernando Bélens, Dinorath do Valle, José Araripe Jr., Pola Ribeiro, Ana Nossa, Edgard Navarro, Jorge Felippi, Moisés Augusto e Henrique Andrade – marcou de modo inspirado, vanguardista e altamente descontraído a paisagem do cinema baiano, nos anos 70 e 80, com produções em Super-8, outras bitolas e suportes.

A sessão em tributo ao Lumbra, programada para o Vale do Capão, vai projetar dois trabalhos que bem sintetizam a essência da polifonia discursiva que o Cine Diamantina 2017 pretende irradiar. O público poderá conferir os curtas Na Bahia Ninguém Fica em Pé (Navarro/Ribeiro/Araripe, 1980) e Bitola Cabeça Super-8, que Gabriela Barreto, uma das idealizadoras do CD, rodou em 2005, em parceria com Vitória Araújo.

Em Na Bahia Ninguém…, temos os então jovens superoitistas do Lumbra, entre eles Navarro, responsável pela oficina de direção do CD 2017, traçando um exasperado diagnóstico do cinema local, na Bahia de ACM e Figueiredo, ao entrevistar profissionais como Orlando Senna, condutor da oficina de roteiro do CD 2017, e Roberto Pires, presente na mostra Cine Baiano com a exibição do longa O Cinema Foi à Feira, de Paulo Hermida. Requisitado fotógrafo de produções baianas, Hermida, assim como Gabriela e a diretora geral do CD Marcela da Costa, foram alunos de Navarro. Um caleidoscópio de gerações que promete.

Marcos Pierry

Curador